A Lógica do Cisne Negro

agosto 25, 2008

Para Nassim Nicholas Taleb, a lógica do Cisne Negro torna “ aquilo que não sabemos mais relevante do que aquilo que sabemos. Para este professor da Ciência da Incerteza, o Cisne Negro é um acontecimento que se reveste de três atributos:

 

1- Primeiro: é «atípico», porquanto se encontra fora das nossas expectativas normais;

 

2- Segundo: tem um enorme impacto;

 

3- Terceiro: devido à natureza humana faz com que construamos explicações para a sua ocorrência depois de o facto ter lugar, tornando-o comprensível e previsível.

 

Ao analisarmos globalmente o processo de reforma das organizações públicas materializado num sistema de avaliação, aplicado à totalidade dos seus actores ancorados numa pirâmide cada vez mais afunilada, causa-nos uma espécie de náusea (ver o significado de náusea descrito por Sartre) precisamente porque todos são, e, pretendem continuar a agir como Cisnes Brancos, actores da previsibilidade, actores sem resposta perante a (im)previsibilidade.

 

O que é preciso fazer? Na verdade, muito. Em primeiro lugar, urge desenvolver uma cultura de serviço público e alterar a patética frase vestir a camisola, actualmente desprovida de qualquer propósito, pois as acções, dos actores, não podem ser voluntárias, mas antes responsabilizantes e contratuantes.

As mudanças que não se realizam, não podem ser justificadas pela questão das mentalidades ou por falta de normativos. A grande questão reside no aprofundamento e na funcionalidade da lógica da coisa pública.

 

A mudança de procedimentos deverá ser aliada à democratização dos conteúdos da missão pública, limitando corporativismos formais e informais muito perto de uma certa cultura(s) suburbana(s).

 

Para terminar cito novamente Nassim Nicholas Taleb:”a nossa incapacidade de realizar previsões em ambiente sujeitos a Cisnes Negros, aliada à generalizada falta de consciência desta realidade, leva a que determinados profissionais, apesar de acreditarem ser especialistas, na verdade não o são. Com base no registo empírico não sabem mais sobre o seu objecto de estudo que a maioria da população, mas são muito melhores a dissertar sobre o mesmo – ou, pior, a confundir-nos com modelos matemáticos complexos. Há também uma forte possibilidade de que usem gravata.”.

Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida. Detesto quando escuto aquela conversa:
- ‘Ah, terminei o namoro… ‘
- ‘Nossa, quanto tempo?’
- ‘Cinco anos… Mas não deu certo… Acabou’
- É, não deu…?
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro. E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível.
Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia. E as vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona…
Acho que o beijo é importante…e se o beijo bate…se joga…senão bate…mais um Martini, por favor…e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer. Não lute, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não. Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você. E vice versa.
Não fique com alguém por dó também. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia? Gostar dói. Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer…
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver. Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias. E nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.
Enfim… Quem disse que ser adulto é fácil?

Publicada pela primeira vez em outubro de 1915, na revista Die weissen Blatter(“As folhas brancas”), pela Editora Kurt Wolf em Leipzig, “A Metamorfose” é um dos trabalhos de Franz Kafka mais cultuados por várias gerações de leitores.

Aliás, toda obra de Kafka, judeu-tcheco, de língua alemã, é motivo de admiração para muitos escritores das mais diversas nacionalidades.

O autor nos coloca, enquanto leitores, nos estertores da existência ao narrar a história de Gregor Samsa que ao acordar, certa manhã, descobre-se transmutado num inseto indescritível.
Ancorado numa espécie de realismo fantástico, para não dizer num surrealismo, Kafka desfia o infortúnio do caixeiro-viajante que vive com seus pais e uma irmã num apartamento.

Numa reação que pode oscilar entre o riso fácil e o assombro, o leitor acompanha o martírio de Gregor que, num primeiro momento, descobre-se como tal: um inseto. Assim, até um fato corriqueiro como se levantar de uma cama torna-se motivo de angústia. Segue-se a descoberta da “metamorfose” pela família. A figura paterna é quem mais o despreza, enquanto a mãe revela certa indiferença e sua irmã é quem passa a alimentá-lo.

São notáveis o conflito existencial, o jogo familiar e o desprezo ao qual Gregor Samsa é relegado. Sequer a faxineira nutre por ele algum sentimento piedoso.

O desfecho da história, desaprovada pelo próprio autor, surpreende pela naturalidade com que a família recebe a notícia do triste fim de Gregor Samsa, anunciado pela faxineira, sem a menor cerimônia.

Ao longo dos anos, “A Metamorfose” passou por diversas traduções e adaptações. Uma delas foi a sua transposição para os quadrinhos.

Franz Kafka é um caso sui generis na história da literatura ou na literatura da História como queira.

Este livro tem duas características fundamentais: a originalidade do estilo e a profundidade psicológica no enfoque de temas aparentemente banais. A linha condutora é a estória de um imigrante nordestino deslocado e perdido na grande cidade do Rio de Janeiro. Através desse personagem, descortina-se a pobreza “feia e promíscua” e ao mesmo tempo a singeleza de vidas tão pouco interessantes. A narrativa, cheia de digressões (que fazem lembrar o estilo machadiano), vai além da descrição realista de um cotidiano inexpressivo – questiona os valores da sociedade moderna, o papel social do artista contemporâneo e a própria existência humana. A Hora da Estrela transita entre o lado trágico e o lado esplêndido da vida, entre a fragilidade e a grandeza do ser humano. O tema da solidão tem a função de dar destaque às desigualdades sociais e ao enigma da vida, imprimindo novas perspectivas aos problemas e indagações que nos cercam.

A obra inicia com um prefácio, em forma de dedicatória, em que ela se propõe uma reflexão desenvolvida através dos verbos dedicar, dedicar-se e meditar. A seguir, uma seqüência de subtítulos que sugerem vários aspectos do livro: A culpa é minha /ou/ A hora da estrela /ou/ Ela que se arranje /ou/ O direito ao grito etc.

A narrativa é lenta, em conseqüência das inúmeras digressões do narrador Rodrigo S.M (Descrever me cansa, (…). Como échato lidar com fatos, o cotidiano me aniquila, estou com preguiça de escrever esta história…). Há mistura de notações eneralizantes (Às vezes só a mentira salva, “O sofrimento é sempre um encontro consigo mesmo: sofrer amadurece”) com indicações nuas e cruas (Depois que ele desapareceu, eu, para não sofrer, me divertia amando mulher. O carinho de mulher é muito bom mesmo, eu até aconselho porque você é delicada demais para suportar a brutalidade dos homens e se você conseguir uma mulher vai ver como é gostoso, entre mulheres o carinho é mais fino). Há registros íntimos (Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei…) e observações de pertinência social (Nascera inteiramente raquítica, herança do sertão, (…). Essa moça não sabia que ela era assim como um cachorro não sabe que é cachorro, (…) nem se dava conta de que vivia numa sociedade técnica onde ela era um parafuso dispensável).

Há vários trechos em que se fazem considerações sobre o papel do escritor brasileiro moderno e a condição indigente da população brasileira:

Antecedentes meus do escrever? Sou um homem que tem mais dinheiro do que os que passam fome, o que faz de mim de algum modo um desonesto. (…) através dessa moça dou o meu grito de horror à vida. A vida que tanto amo. São abundantes as reflexões sobre a figura feminina, sua condição social e individual, sua condição humana transcendental: Teria ela o sensação de que vivia para nada? Nem posso saber, mas acho que não (…). Mas eu que não chego a ser ela, sinto que vivo para nada, (…). Quando acordava não sabia mais quem era. Só depois é que costumava datilografar; ouvia freqüentemente a Rádio Relógio, não só para saber as horas, mas para aprender coisas curiosas, que ela achava sempre lindas. Teve um namorado, Olímpio de Jesus, também nordestino, operário de metalúrgica cujo sonho era ser açougueiro e mais tarde deputado. Acabou abandonando o namoro com Macabéa para ficar com uma amiga dela, Glória, uma carioca, oxigenada, de família classe média baixa. Sentindo-se infeliz, Macabéa, a conselho de Glória, foi consultar uma cartomante, Madama Carlota, que acertou tudo a respeito de seu passado e predisse coisas maravilhosas em relação ao seu futuro. Ao sair da casa da mulher, Macabéa foi atropelada e acabou morrendo, eis a Hora da estrela, quando um fotógrafo registra sua trajédia.

Personagens

Macabéa, a protagonista: (…) vida primária que respira, respira, respira. (…) dormia de combinação de brim com manchas bastante suspeitas de sangue pálido. (…) ela era incompetente. Incompetente para a vida. Faltava-lhe o jeito de se ajeitar. (…) Não sabia que era infeliz. (…) Assoava o nariz na barra da combinação. Não tinha aquela coisa delicada que se chamava encanto. (…) A única coisa que queria era viver. Não sabia para que, não se indagava. (…) A mulherice só lhe nasceria mais tarde porque até no capim vagabundo há desejo de sol. (…) sonhava estranhamente em sexo, ela que de aparência era assexuada. Quando acordava se sentia culpada sem saber por que, talvez porque o que é bom devia ser proibido. (…) Não se tratava de uma idiota, mas tinha a felicidade pura dos idiotas. (…) Ela era subterrânea e nunca tinha tido floração. Minto: ela era capim.

Olímpio de Jesus Moreira Chaves, o namorado: O rapaz e ela se olharam por entre a chuva e se reconheceram como dois nordestinos, bichos da mesma espécie que se farejam. (…) mentiu ele porque tinha como sobrenome apenas o de Jesus, sobrenome dos que não têm pai. (…) No Nordeste tinha juntado salários e salários para arrancar um canino perfeito e trocá-lo por um dente de ouro faiscante. Este dente lhe dava posição na vida. Aliás, matar tinha feito dele um homem com letra maiúscula. Olímpio não tinha vergonha, era o que se chamava no Nordeste de cabra safado. Mas não sabia que era artista: nas horas de folga esculpia figuras de santos e eram tão bonitas que ele não as vendia. (…) vinha do sertão da Paraíba (…) nascera crestado e duro que nem galho seco da árvore ou pedra ao sol. (…) Ter matado e roubado faziam com que ele não fosse um simples acontecido qualquer, davam-lhe uma categoria, faziam dele um homem com honra já lavada (…) seu destino era o de subir para um dia entrar no mundo dos outros. Ele tinha fome de ser o outro.

Madama Carlota, prostituta e cartomante: Eu sou fã de Jesus. Sou doidinha por ele. Ele sempre me ajudou. Olha, quando eu era mais moça tinha bastante categoria para levar vida difícil de mulher. E era fácil mesmo, graças a Deus. Depois, quando eu já não valia muito no mercado, Jesus, sem mais nem menos arranjou um jeito de eu fazer sociedade com uma coleguinha e abrimos uma casa de mulheres (…) a polícia não deixa por cartas, acha que eu estou explorando os outros, mas, como eu já disse, nem a polícia consegue desbancar Jesus. (…) Eu tinha um homem de quem eu gostava de verdade e que eu sustentava porque ele era fino e não queria se gastar em trabalho nenhum. Ele era o meu luxo e eu até apanhava dele. Quando ele me dava uma surra e via que ele gostava de mim, eu gostava de apanhar. (…) Ouvi dizer que o Mangue está acabando, que a zona agora só tem uma meia dúzia de casas. Em meu tempo havia umas duzentas. Eu ficava em pé encostada na porta vestindo só calcinha e sutiã de renda transparente.

Veja também:

O Lobo das Planícies

Para todos os leitores do blog, ai vai mais uma dica de leitura!!!

O livro Criança 44 é o livro de estréia de Tom Rob Smith e seus direitos para filmagem já foram vendidos muito antes dele ter sido publicado. Achei o livro muito bom… vale esperar pelo filme agora, né?

Romance policial e inspirado em um caso real, no qual leva o leitor à Russia de 1953, na época de Stalin. Tudo acontece em torno de uma criança que fora encontrada morta em um trilho de trem. A família acredita que tenha sido assassinato e o agente Liev Demidov se surpreende com isso, mas é forçado por seus superiores a esquecer o assunto, tentando convencer a família do mesmo.  Assim como ele, toda a população é levada a crer que não houve o tal crime.

Com o passar dos anos, esse mesmo agente da polícia se convence de que a morte da criança não foi um pequeno acidente e resolve investigar o assassinato. Mesmo tendo ordens para esquecer a tal suspeita, algo lhe diz que há muito mais por trás dessa história, desconfiando de há um psicopata por trás de tudo. Depois de um tempo, resolve investigar a fundo e perseguir o assassino, jogando tudo para o alto, se tornando um inimigo do Estado.

É um livro que, sem dúvida, prende a atenção do leitor do começo ao fim. Quem gosta de romances políciais, vai adorar esse livro.

Quem não aguentar a curiosidade, pode ler um trexo do livro no próprio site da editora:

Primeiro Capítulo de Criança 44

Essa é a capa do livro:

Espero que gostem da dica!!!

O Lobo das planícies

julho 18, 2008

Olá pessoal, tudo bem??????? Li um livro bem legal outro dia, achei que valia a pena postar aqui!!! Ele é o primeiro volume da série “O Conquistador”, publicado pela Editora Record.

O Lobo das Planícies é um livro de aventura épica, escrito por Conn Iggulden, autor inglês, que possui que escreveu alguns outros livros como “O Livro Perigoso para Garotos” e a trilogia “O Imperador. Juntamente com Bernard Cornwell, é considerado um dos melhores autores de sagas épicas.

O livro recria a grande saga do imperador mongol Gênsis Khan e de seus descendentes, contando a história de Temujin, que aos 11 anos perdeu seu pai, o líder da tribo, e, ao ser abandonado, passou a vagar pelas planícies. Aos poucos, Temujin foi demonstrando grande habilidade com as armas e, ao se juntar com outros excluídos como ele, foi conquistando diversas tribos. Nasce ai um novo imperador.

A capa do livro é essa aqui abaixo.

Vou colocar o site do livro abaixo, para quem se interessar pelo livro… Quem gosta de livros medievais, com certeza vai gostar desse livro!!!

http://www.record.com.br/olobodasplanicies

Bom fim de semana a todos!!!!!!!!

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Veja também:

Amor em Minúscula

Vivendo no Engenho Novo, um subúrbio da cidade do Rio de Janeiro, quase recluso em sua casa, construída segundo o molde da que fora a de sua infância, na Rua de Matacavalos, Bento de Albuquerque Santiago, com cerca de 54 anos e conhecido pela alcunha de Dom Casmurro por seu gosto pelo isolamento, decide escrever sua vida.

Alternando a narração dos fatos passados com a reflexão sobre os mesmos, no presente, o protagonista/narrador informa ter nascido em 1842 e ser filho de Pedro de Albuquerque Santiago e de D. Maria da Glória Fernandes Santiago. O pai, dono de uma fazendola em ltaguaí, mudara-se para a cidade do Rio de Janeiro por volta de 1844, ao ser eleito deputado. Alguns anos depois falece e a viúva, preferindo ficar na cidade a retornar a ltaguaí, vende a fazendola e os escravos, aplica seu dinheiro em imóveis e apólices e passa a viver de rendas, permanecendo na casa de Matacavalos, onde vivera com o marido desde a mudança para o Rio de Janeiro.

A vida do protagonista/narrador transcorre sem maiores incidentes até a “célebre tarde de novembro” de 1857, quando, ao entrar em casa, ouve pronunciarem seu nome e esconde-se rapidamente atrás da porta. Na conversa entre sua mãe e o agregado José Dias, que morava com a família desde os tempos de ltaguaí, Bentinho, como era então chamado, fica sabendo que sua mãe se mantém firme na intenção de colocá-lo no seminário a fim de seguir a carreira eclesiástica, segundo promessa que fizera a Deus caso tivesse um segundo filho varão, já que o primeiro morrera ao nascer.

Bentinho, que há muito tinha conhecimento das intenções de sua mãe, sofre violento abalo, pois fica sabendo que a reativação da promessa, que parecia esquecida, devia-se ao fato de José Dias ter informado D. Glória a respeito de seu incipiente namoro com Capitolina Pádua, que morava na casa ao lado. Capitu, como era chamada, tinha então catorze anos e era filha de um tal de Pádua, burocrata de uma repartição do Ministério da Guerra. A proximidade, a convivência e a idade haviam feito com que os dois adolescentes criassem afeição um pelo outro. D. Glória, ao saber disto, fica alarmada e decide apressar o cumprimento da promessa. Os planos de Capitu, informada do assunto, e Bentinho para, com a ajuda de José Dias, impedir que D. Glória cumprisse a decisão ou que, pelo menos, a adiasse, fracassam. Como último recurso, o próprio Bentinho revela à mãe não ter vocação, o que também não a faz voltar atrás. Tio Cosme, um viúvo, irmão de D. Glória e advogado aposentado que vivia na casa desde que seu cunhado falecera, e a prima Justina, também viúva, que, há muitos anos, morava com a mãe de Bentinho, procuram não se envolver no problema. Assim, a última palavra fica com D. Glória, que, com o apoio do padre Cabral, um amigo de Tio Cosme, decide finalmente cumprir a promessa e o envia ao seminário, prometendo, contudo, que se dentro de dois anos não revelasse vocação para o sacerdócio estaria livre para seguir outra carreira. Antes da partida de Bentinho, este e Capitu juram casar-se.

No seminário, Bentinho conhece Ezequiel de Sousa Escobar, filho de um advogado de Curitiba. Os dois tornam-se amigos e confidentes. Em um fim de semana em que Bentinho visita D. Glória, Escobar o acompanha e é apresentado a todos, inclusive a Capitu. Esta, depois da partida de Bentinho, começara a freqüentar assiduamente a casa de D. Glória, do que nascera aos poucos grande afeição recíproca, a ponto de D. Glória começar a pensar que se Bentinho se apaixonasse por Capitu e casasse com ela a questão da promessa estaria resolvida a contento de todos, pois Bentinho, que a quebraria, não a fizera, e ela, que a fizera, não a quebraria.

Enquanto isto, Bentinho continuava seus esforços junto a José Dias, que, tendo fracassado em seu plano de fazê-lo estudar medicina na Europa, sugeria agora que ambos fossem a Roma pedir ao Papa a revogação da promessa. A solução definitiva, contudo, partiu de Escobar. Segundo este, D. Glória prometera a Deus dar-lhe um sacerdote, mas isto não queria dizer que o mesmo deveria ser necessariamente seu filho. Sugeriu então que ela adotasse algum órfão e lhe custeasse os estudos. D. Glória consultou o padre Cabral, este foi consultar o bispo e a solução foi considerada satisfatória. Livre do problema, Bentinho deixa o seminário com cerca de 17 anos e vai a São Paulo estudar, tornando-se, cinco anos depois, o advogado Bento de Albuquerque Santiago. Por sua parte, Escobar, que também saíra do seminário, tornara-se um comerciante bem-sucedido, vindo a casar com Sancha, amiga e colega de escola de Capitu. Em 1865, Bento e Capitu finalmente casam, passando a morar no bairro da Glória. O escritório de advocacia progride e a felicidade do casal seria completa não fosse a demora em nascer um filho. Isto faz com que ambos sintam inveja de Escobar e Sancha, que tinham tido uma filha, batizada com o nome de Capitolina. Depois de alguns anos, nasce Ezequiel, assim chamado para retribuir a gentileza do casal de amigos, que dera à filha o nome da amiga de Sancha.

Ezequiel revela-se muito cedo um criança inquieta e curiosa, tornando-se a alegria dos pais e servindo para estreitar ainda mais as relações de amizade entre os dois casais. A partir do momento em que Escobar e Sancha, que moravam em Andaraí, resolvem fixar residência no Flamengo, a convivência entre as duas famílias torna-se completa e os pais chegam a falar na possibilidade de Ezequiel e Capituzinha, como era chamada à pequena Capitolina, virem a se casar.

Em 1871 Escobar, que gostava de nadar, morre afogado. No enterro, Capitu, que amparava Sancha, olha tão fixamente e com tal expressão para Escobar morto que Bento fica abalado e quase não consegue pronunciar o discurso fúnebre. A perturbação, contudo, desaparece rapidamente. Sancha retira-se em seguida para a casa dos parentes no Paraná, o escritório de Bento continua a progredir e a união entre o casal segue crescendo. Até o momento em que, cerca de um ano depois, advertido pela própria Capitu, Bento começa a perceber as semelhanças de Ezequiel com Escobar. À medida que o menino cresce, estas semelhanças aumentam a tal ponto que em Ezequiel parece ressurgir fisicamente o velho companheiro de seminário. As relações entre Bento e Capitu deterioram-se rapidamente. A solução de colocar Ezequiel num internato não se revela eficaz, já que Bento não suporta mais ver o filho, o qual, por sua vez, se apega a ele cada vez mais, tomando a situação ainda mais crítica.

Num gesto extremo, Bento decide suicidar-se com veneno, colocado numa xícara de café. Interrompido pela chegada de Ezequiel, altera intempestivamente seu plano e decide dar o café envenenado ao filho, mas, no último instante, recua e em seguida desabafa, dizendo a Ezequiel que não é seu pai. Neste momento Capitu entra na sala e quer saber o que está acontecendo. Bento repete que não é pai de Ezequiel e Capitu exige que diga por que pensa assim. Apesar de Bento não conseguir expor claramente suas idéias, Capitu diz saber que a origem de tudo é a casualidade da semelhança, argumentando em seguida que tudo de deve à vontade de Deus. Capitu retira-se e vai à missa com o filho. Bento desiste do suicídio.

Durante a discussão fica decidido que a separação seria o melhor caminho. Para manter as aparências, o casal parte pouco depois rumo à Europa, acompanhado do filho. Bento retorna a seguir, sozinho. Trocam algumas cartas e Bento viaja outras vezes à Europa, sempre com o objetivo de manter as aparências, mas nunca mais chega a encontrar-se com Capitu. Tempos depois morrem D. Glória e José Dias.

Bento retira-se para o Engenho Novo. Ali, certo dia, recebe a visita de Ezequiel de Albuquerque Santiago, que era então a imagem perfeita de seu velho colega de seminário. Capitu morrera e fora enterrada na Europa. Ezequiel permanece alguns meses no Rio e depois parte para uma viagem de estudos científicos no Oriente Médio, já que era apaixonado pela arqueologia. Onze meses depois morre de febre tifóide em Jerusalém e é ali enterrado.

O adultério de Capitu não está bem esclarecido para o leitor, já que o próprio narrador-personagem, no decorrer da história, apresenta uma série de indícios, provas e contraprovas, como o fato de Capitu ser parecidíssima com a mãe de Sancha, sem haver, com toda certeza, qualquer parentesco entre elas.

Mortos todos, familiares e velhos conhecidos, Bento/Dom Casmurro fecha-se em si próprio, mas não se isola e encontra muitas amigas que o consolam. Jamais, porém, alguma delas o faz esquecer a primeira amada de seu coração, que o traíra com seu melhor amigo. Assim quisera o destino. Decide escrever um livro de memórias na tentativa de atar passado e presente, da “construção ou reconstrução” de si mesmo. É certo que, antes da narrativa, tenta recompor seu passado construindo uma casa em tudo semelhante à de sua adolescência, todavia esse artifício mostra-se inútil e frustrante. Por isso, passa a essa outra alternativa: a da narrativa, que se mostra eficaz. E após seu término, para esquecer tudo, nada melhor que escrever, segundo decide, um outro livro: uma História dos subúrbios do Rio de Janeiro.

VEJA MAIS:

Amor em Minúscula

Amor em Minúscula

julho 14, 2008

Olá pessoal,

Tenho uma boa dica de leitura, para quem gosta de livros infanto-juvenis. O livro é o “Amor em Minúscula”, romance escrito por Francesc Miralles, escritor espanhol, que possui três livros para apreciadores do mesmo estilo de leitura. O livro foi publicado pela Editora Record e se encontra entre os mais vendidos, além de ser o mais conhecido entre os livros do autor.

O livro conta sobre a vida de Samuel, um professor de filosofia alemã em uma universidade de Barcelona, de 40 anos, solitário, que adota um gatinho abandonado chamado Mishima. Samuel tem a sua vida mudada após esse fato, uma vez que o gato o leva ao encontro de pessoas que ele nunca pensava em conhecer. No meio da história, ele encontra uma antiga paixão, Gabriela, após 30 anos sem a ver. A partir daí, uma grande aventura começa, cheia de revelações surpreendentes.

O livro mostra como a amizade e o amor por um bichinho de estimação pode transformar a vida das pessoas. Durante todo o livro, o autor faz inúmeras citações e homenagens.

Quem se interessou pelo livro, pode conhecer mais sobre ele, sobre o autor ou até mesmo ler o primeiro capítulo do livro no site:

www.amoremminuscula.com.br

Comentem o que acharam…

Boa semana para vocês!!!

Veja também:

A Cabeça do Eleitor

A Cabeça do Eleitor

julho 8, 2008

Achei um livro bem legal, publicado pela Editora Record, feito principalmente para quem é candidato às eleições.

A Cabeça do Eleitor é um livro fundamental para quem quer concorrer à qualquer cargo na política.

Foi escrito pelo sociólogo Alberto Almeida, e mostra como que o eleitor escolhe em quem vai votar. A partir disso, ele ensina a montar e avaliar uma pesquisa de opinião, além de muitos outros temas que fazem de uma campanha, vitoriosa.

Abaixo segue a capa do livro, com o link para o site, onde você pode fazer o download do primeiro capítulo do livro, conhecer mais sobre o autor ou sobre o próprio livro.

www.acabecadoeleitor.com.br

Comentem o que acharam…

Beijos,

Boa semana!

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